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Mercosul e União Europeia finalmente avançam em acordo comercial após 25 anos de conversas

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A União Europeia (UE) confirmou na última quinta-feira, 09, a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, um marco que promete redefinir as relações econômicas e comerciais entre os dois blocos. Este tratado, que ainda aguarda a ratificação do Parlamento Europeu e dos Congressos nacionais dos países do Mercosul, com expectativa de assinatura em 17 de janeiro, dará origem à maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22,3 trilhões.

O principal pilar do acordo é a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, um movimento que a Comissão Europeia estima que resultará na eliminação de mais de 4 bilhões de euros anuais em impostos sobre as exportações da UE. Para o Mercosul, a expectativa é que 91% das exportações para a UE tenham suas tarifas eliminadas em 15 anos, enquanto a UE deverá retirar as taxas sobre 92% das exportações do bloco sul-americano.

Para o Brasil, a maior economia do Mercosul, o acordo representa uma oportunidade estratégica de ampliar o acesso a um vasto mercado consumidor de cerca de 451 milhões de pessoas. O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, celebrou a aprovação, destacando que cerca de 30% dos exportadores brasileiros já atuam no mercado europeu.

Um dos benefícios mais tangíveis para o consumidor brasileiro será a redução de preços de diversos produtos importados da UE. Itens como queijos, vinhos, azeites e chocolates, que hoje pagam tarifas elevadas, terão seus custos de importação gradualmente zerados. Por exemplo, a tarifa de 35% sobre vinhos e 28% sobre queijos será eliminada, tornando esses produtos mais acessíveis. Além disso, outras bebidas, leite em pó e fórmulas para bebês também terão suas tarifas reduzidas a zero, com cotas específicas para alguns produtos.

Para o agronegócio brasileiro, o acordo é uma porta de entrada para uma demanda externa ampliada, fortalecendo a posição do Brasil como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. O tratado também prevê o fortalecimento do multilateralismo e a promoção de investimentos europeus no Mercosul, além de reforçar o compromisso do Brasil com o combate às mudanças climáticas.

Apesar dos benefícios econômicos evidentes, o acordo não é isento de controvérsias. Enfrenta forte resistência de agricultores europeus, especialmente na França, que temem a concorrência de produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais distintos dos exigidos na UE. Países como Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra o acordo, evidenciando as divisões internas no bloco europeu.

No entanto, a mudança de posicionamento da Itália, que inicialmente se mostrava contrária, foi decisiva para a aprovação, garantindo a maioria qualificada necessária no Conselho Europeu. A Comissão Europeia também tem buscado mitigar as preocupações dos agricultores com propostas de aceleração de recursos destinados ao setor.

Em um contexto global de busca por alternativas à dependência da China, o acordo UE-Mercosul também é visto como uma estratégia para garantir o fornecimento de minerais críticos, como o lítio, essencial para a produção de baterias. A concretização deste acordo, após mais de duas décadas de negociações, representa um passo significativo para a integração econômica e para a redefinição das cadeias de valor globais, com o Brasil desempenhando um papel central nesse novo cenário.

Texto: Lua F.

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