![]() |
| Reprodução; |
A bioeconomia da sociobiodiversidade já movimenta cerca de R$ 13,5 bilhões por ano no Pará, consolidando-se como um dos principais motores da economia regional, especialmente em cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. O dado evidencia como atividades tradicionais, muitas vezes descentralizadas, têm ganhado relevância estratégica dentro do cenário econômico do estado.
O levantamento, desenvolvido pela Rede Pará de Estudos sobre Contas Regionais e Bioeconomia, coordenada pela Fapespa em parceria com universidades federais, mostra que produtos como mandioca, açaí, pescado, cacau, castanha-do-pará e óleos vegetais formam a base dessa dinâmica econômica. Essas cadeias não apenas geram renda, mas também sustentam milhares de famílias e desempenham papel fundamental na segurança alimentar da população amazônica.
Entre os destaques, a mandioca lidera com cerca de R$ 7 bilhões em valor bruto de produção, seguida pela pesca e aquicultura, com aproximadamente R$ 2,7 bilhões, e pelo açaí, que movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão. Os números reforçam o protagonismo de atividades historicamente associadas ao modo de vida regional, que agora ganham ainda mais relevância dentro da agenda econômica e ambiental.
Além do impacto direto na produção, o estudo aponta um efeito multiplicador relevante na economia. Para cada R$ 1 investido na bioeconomia, são gerados, em média, R$ 1,13 no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, além de impactos positivos na geração de renda e arrecadação. Esse efeito cresce conforme os produtos avançam na cadeia produtiva, especialmente nas etapas de industrialização e comercialização.
Apesar da força econômica, o setor ainda enfrenta desafios estruturais. A informalidade é um dos principais entraves, principalmente em cadeias como a da mandioca, onde grande parte da produção ocorre em sistemas tradicionais, como casas de farinha comunitárias, com baixa presença em registros fiscais.
Outro ponto de atenção está na distribuição de renda ao longo das cadeias produtivas. Em alguns casos, como na castanha-do-pará, a maior parte do valor gerado fica concentrada nas etapas industriais, enquanto os produtores recebem uma parcela reduzida. Por outro lado, experiências com organização comunitária, como nas cadeias de óleos vegetais, mostram que a estruturação coletiva pode aumentar a participação das comunidades na renda final.
O estudo também destaca os impactos das mudanças climáticas como um fator de risco para o setor. Municípios do estado já registram perdas em produções tradicionais e dificuldades operacionais, o que afeta diretamente a renda das comunidades e a continuidade das atividades produtivas.
Dentro desse cenário, a bioeconomia se posiciona como um dos principais caminhos para o desenvolvimento sustentável do Pará. Mais do que ampliar a produção, o avanço do setor passa pela agregação de valor nos territórios, fortalecimento de cooperativas e integração com políticas públicas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento econômico.
Texto: Lua F;





