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| Reprodução; cr.: Ascom Semas; |
A abertura oficial da pesca do mapará em Abaetetuba marcou o encerramento do período de defeso e reuniu pescadores, autoridades e moradores da região em um momento simbólico para a economia local. A atividade, tradicional na região, retorna após meses de restrição, período necessário para garantir a reprodução da espécie e a preservação dos estoques naturais nos rios da Amazônia. A retomada da pesca representa, portanto, não apenas o retorno de uma prática cultural, mas também um importante impulso para a atividade econômica das comunidades ribeirinhas do município.
O evento de abertura contou com a presença de representantes do poder público e de entidades ligadas ao setor pesqueiro, que destacaram a importância do cumprimento das regras do defeso e do fortalecimento de acordos de pesca como instrumentos fundamentais para a organização da atividade. Em Abaetetuba, o acordo firmado envolve comunidades localizadas nos rios Ajuaí, Paruru e Furo Grande, estabelecendo regras de uso e preservação dos recursos pesqueiros em uma área de aproximadamente 736 hectares. A iniciativa beneficia diretamente cerca de 886 famílias ribeirinhas e contou com a participação de aproximadamente 2.700 pessoas no processo de construção do acordo.
O acordo de pesca funciona como um instrumento de gestão participativa, permitindo que as próprias comunidades colaborem na definição de regras para o uso sustentável dos recursos naturais. Entre as medidas estão o controle de áreas de captura, períodos permitidos para a atividade e ações de monitoramento comunitário. Além disso, os pescadores também participam de atividades de capacitação e recebem apoio para fortalecer a organização e a gestão das áreas de pesca.
A abertura da temporada do mapará também representa um momento importante para a economia local. A atividade movimenta a cadeia produtiva do pescado na região, envolvendo não apenas pescadores, mas também comerciantes, feirantes e pequenos empreendedores que dependem da comercialização do peixe para garantir renda. Em cidades como Abaetetuba, a pesca do mapará possui grande relevância econômica e social, contribuindo diretamente para o sustento de centenas de famílias.
Ao mesmo tempo, a adoção de acordos de pesca e o respeito ao período de defeso reforçam um modelo de exploração sustentável dos recursos naturais. A gestão compartilhada entre comunidades e poder público busca garantir que a atividade continue gerando renda e oportunidades para os pescadores sem comprometer o equilíbrio ambiental dos rios amazônicos. Dessa forma, a pesca do mapará se consolida como um exemplo de atividade que pode conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e valorização das tradições das comunidades ribeirinhas.
Texto: Lua F.





